quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Resenha | A Vida em Tons de Cinza

É complicado conseguir expressar tudo o que esse livro me fez sentir. Pra mim este livro, pode mudar pessoas, ou no mínimo fará refletir sobre nossos simples atos cotidianos. É o meu livro favorito entre quase praticamente todos. Pra vocês, resenha de A Vida em Tons de Cinza, da querida Ruta Sepetys.



Em A Vida em Tons de Cinza, temos a narrativa em primeira pessoa, contada pela personagem Lina Vilkas, de apenas 15 anos. Ela tinha uma vida tranquila, com os pais e o irmão de 10 anos, na Lituânia. Ela tinha um dom incrível para a arte de desenhar, e iria estudar em breve em uma famosa escola na capital. Até que na noite do dia 14 de junho de 1941, a polícia secreta soviética invade casas, e os leva a força para as estações de trem. Trens, com vagões sujos, que eram usados para animais como vacas e porcos, e os jogam lá dentro. Os homens foram separados das mulheres, e nesses vagões o único buraco “janela” que existe para entrar ar, é também o que serve como latrina. Lá Lina conhece Andrius, e se tornam muito amigos. Na primeira noite os trens não saíram da estação, então Lina, seu irmão Jonas, e Andrius conseguem escapar momentaneamente e ir até os vagões dos homens a procura de seus pais, e com isso descobrem que em russo estava escrito no vagão onde eles estavam – Ladrões e Prostitutas. Infelizmente apenas encontram o pai de Lina e Jonas, que disse que não iria para o mesmo destino que eles, e que talvez Lina e outros, estivessem sendo levados para a Sibéria. Como um último ato de despedida no momento, o pai deles entrega pelo buraco, um pedaço de presunto e pedi que dividam e o comam sem nojo. 

“Pressionei a ponta do dedo na sujeira do chão para escrever seu nome. Munch. Eu seria capaz de reconhecer o traço dele em qualquer lugar. E papai poderia reconhecer o meu. Foi isso que ele quis dizer.  Se eu deixasse um rastro de desenhos, ele conseguiria me encontrar.”

Não sei se as palavras desumano, e crueldade tem força suficiente para exprimir a forma como eles foram tratados. De comida eles recebiam apenas um água suja e uma papa. Vários morreram nos vagões e eram atirados no campo onde passavam. Logo são levados a uma fazenda grande, onde morariam em pequenas cabanas, e todos trabalhariam como escravos, por muito pouca comida. Jonas foi designado para trabalhar com umas senhoras, Lina, sua mãe Elena e outros foram mandados para as plantações de beterraba; outros para as de batatas. Quem fosse pego roubando algum alimento corria o risco de ser morto na hora, mas a fome era intensa de mais, o que fez alguns roubarem das plantações, esconder nas suas roupas para poder comer depois. Alguns personagens como a Senhora Rimas, fizeram a diferença na história. Mesmo com tanto sofrimento ela não perdeu o senso de humor.

“-Elena, por favor, pode me passar o talco? – pediu a Sra. Rimas enquanto se limpava com uma folha.
Começamos a rir. Era uma cena ridícula: Nós três ali agachadas, segurando nosso joelhos. Gargalhamos de verdade...
- O senso de humor – disse mamãe, com os olhos marejados de lágrimas de tanto rir – Isso eles não podem no tirar, não é?”

É impossível descrever a história do livro, sem deixar a resenha grande, ou não contar muito, o que faria perder a essência principal de uma história extremamente marcante, de certa forma linda, inesquecível  emocionante.

Lina e Andrius mesmo sendo jovens, sentem amor um pelo outro. Mas logo alguns ia ser levados para outro lugar e separados novamente. Foi o que aconteceu com Lina e sua família. Foram levados, e Andrius ficou. A saudade era tão grande quanto de seu pai, mas por mais sofrimento que houvesse, a esperança era muito forte. Levados então para Trofimovsk, no Pólo Norte, onde passariam por mais sofrimento que poderiam esperar. Stalin foi praticamente o mandante de tudo, um homem desprezível. 

“Nós estávamos no fundo do oceano, mas ainda assim tentávamos alcançar o céu.”

Ruta Sepetys, utilizou fatos reais, e toda a trajetória fiel, para escrever a história mais emocionante que já li. Além de muito bem escrita, a autora consegue nos impressionar sempre. As vezes somos até pegos de surpresa, depois de um parágrafo mais “leve”, uma última frase nos faz calar, e fechar o leve sorriso. A mãe de Lina e Jonas, Elena é sem dúvida a personagem mais marcante. Ela é quem acalma a todos, protege os filhos, e consegue se manter segura, sem nunca perder as esperanças. Lina sempre foi mais séria, e não infantil, mas com o decorrer da história ela se torna muito madura e forte.
Sentimentos simples para muitos de nós como a fome ficarão abalados, com a leitura. Um livro que além de fazer você pensar e refletir pode mudar alguma coisa em nós.

Fotos reais:



Por que ler A Vida em Tons de Cinza?

Porque, mesmo com o fato de ser baseada em fatos reais, mesmo com todo o sofrimento, a história em si vale a pena. É uma leitura maravilhosa e a autora conseguiu me fazer chora muito no final. Mas com isso ela ainda surpreende o leitor com um epílogo lindo. Que nos deixa arrepiados e felizes. Não poderia existir final mais perfeito. Apenas leiam,só isso.

Um homem encontra enterrada uma caixa de papéis e então começa a ler:

“ [...] Caro amigo,
Os escritos e desenhos que você está segurando foram enterrados no ano de 1954, quando voltei com meu irmão da Sibéria, onde passamo 12 anos presos. Há milhares de nós, quase todos mortos.

Andrius meu marido, diz que o mal irá governar o mundo até o dia em que os homens e mulheres bons decidirem agir. Acredito nele.

Talvez esses papéis lhe causem choque ou horror, mas não é essa a minha intensão. Minha maior esperança é que essas páginas despertem sua mais profunda compaixão. Espero que levem você a fazer alguma coisa, a contar a alguém.

Somente então poderemos ter certeza de que esse tipo de mal jamais voltará a se repetir.

Atenciosamente,
Lina Arvydas
9 de julho de 1954 - Kaunas "

Meus melhores cumprimentos,
Maurício Dias.

9 comentários:

  1. Esse livro deve ser mesmo muito especial, conseguiu me tocar só pelos trechos, espero muito poder ler em breve.Sua resenha está ótima mesmo, destaca bem sua impressão sobre a história, coisa que muita gente não faz, sempre se limitam à sinopse. Talvez seja bom, no entanto dar uma revisada, tem umas palavras repetidas, como em "e consegue manter se manter segura!". Mas realmente gostei muito de como você fala do livro, adoro resenhas em que o autor mostra que se envolveu de verdade com o livro. Livro bom é esse que somos um antes de ler e outro depois.
    Abraços, estou seguindo.
    http://beletrismos.blogspot.com.br/

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  2. Chorei demais lendo esse livro, e choro em toda resenha que leio dele, é perfeito demais. Por mais que eu me indigne com a situação que a autora nos apresenta eu acho que ela foi brilhante e humana em ter feito esse romance baseada em fatos que aconteceram. Tudo aquilo deve ser contado.
    Maurício, bela resenha, parabéns.
    Beijos
    Viviane
    RR

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  3. Esse livro é tão triste, mas tão bonito!
    Só de lembrar ja fiquei arrepiada! Foi um dos meus favoritos tb!

    Parabens pela resenha! Ficou ótima!

    Bjokas

    Flavia - Livros e Chocolate

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  4. Nossa é bem diferente do que eu estava pensando. Uma amiga minha comprou e começou a ler e disse que não gostou, que o livro não era bom. Mas pelo que eu estou vendo não era nada daquilo que ela me falou. Vou ler.

    http://blogprefacio.blogspot.com.br/

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  5. Olá Mauricio, já ouvi muitas opiniões ótimas sobre esse livro e tenho muita vontade de ler. Já fiquei comovida com sua resenha, estou imaginando com a história. Ótima resenha.

    Beijos

    http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/

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  6. Esse é o tipo de livro q vc desidrata de tanto chorar, mas é lindo, tão, mas tão lindo... Um dos melhores q li esse ano.

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  7. Chorei tanto, mas tanto. Até hj não entendi como não fui parar no hospital desidratada.

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  8. É meu livro preferido também, amo muito esse livro, ele me fez mudar o modo como eu via muitas coisas, inclusive eu mesma, eu nunca tenho palavras que consigam expressar a grandeza da mensagem desse livro.

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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